Comissão organizadora do 8º AUDITE comemora sucesso do seminário

8º AUDITE REÚNE MAIS DE 150 PROFISSIONAIS DO SETOR ENERGÉTICO BRASILEIRO

Profissionais do Setor Energético brasileiro se reuniram nos dias 25 e 26 de junho, na sede do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), para analisar, trocar informações e trazer novidades sobre Auditoria Interna. Organizado pela FUNDAÇÃO COGE, o 8º AUDITE contou com 153 participantes. A novidade deste ano foi a inclusão de temas sobre Compliance e Gestão de Riscos nas empresas.

Superintendente de Auditoria de Furnas e Coordenador do Comitê de Auditoria, Compliance e Gestão de Risos da FUNDAÇÃO COGE, Alessandro Portinho, classificou o seminário como um sucesso!

“Assuntos como fraudes, novas tecnologias e atividades relacionadas ao compliance emergiram nessa edição do evento. Eu diria que o AUDITE é uma referência nacional no setor energético brasileiro porque é singular nesta área cada vez mais especializada e demanda um conhecimento intensivo sobre os seus riscos. Através desse seminário, estamos preparando, formando e informando os profissionais que atuam no setor”, ressaltou Portinho, que foi moderador do painel sobre Lei de Proteção de Dados.

José Ricardo de Oliveira, Sócio da Área de Consultoria da EY e líder da EY para o setor Power & Utilities, abriu o primeiro painel que abordou as Novas Tecnologias em Auditoria Interna. Segundo ele, é cada vez mais importante as empresas e indústrias se adequarem tecnologicamente às demandas do mercado. “Um exemplo legal é de uma empresa que confeccionou um jaleco para medir o consumo de moradores de uma comunidade perigosa na África. O funcionário passava de moto pela rua vestindo o jaleco e tirava a medição”, contou. José Ricardo prevê que no futuro a auditoria interna será vista como uma torre de controle de tráfego aéreo. “A tecnologia permitirá o monitoramento de riscos em tempo real. Temos que ser ágeis e dinâmicos, usar mais julgamentos, ampliar as capacidades digitais, antecipar falhas de controles e gatilhos de riscos e reportar de forma digital e mais veloz”, completou.

Sócio da Deloitte, Marcelo Machado também participou do primeiro painel. Marcelo mostrou o panorama atual da auditoria interna. De acordo com ele, a auditoria precisa de mais impacto e influência, além de uma abordagem alinhada aos riscos prioritários e à estratégia. “Há um baixo nível de inovação no setor. A velocidade e a forma de comunicação não estão atendendo às necessidades dos stakeholders. A missão da auditoria 3.0 é assegurar, aconselhar e antecipar. No cenário de hoje, há uma pressão enorme por redução de custos e elevação no valor agregado”, explicou.       

O segundo painel abordou os Riscos e a Integridade na Relação com Terceiros. Responsável por Audit Market e Procurement da Enel Brasil, Edson Kenji afirmou que o código de ética da empresa pauta todas as diretrizes, além do plano de tolerância zero para a corrupção e o modelo de prevenção de riscos. “O apoio da alta administração da companhia é primordial. As normativas são fundamentais para suportar o processo e os colaboradores devem ser treinados para entender os riscos e conhecer os procedimentos”.

Já Renata Elias, que faz parte da Gestão Integrada e Compliance da Petrobras, explicou como é importante as diretrizes entre empresas estarem alinhadas para uma parceria ser boa. “Temos que saber como é a empresa que firmamos contrato, já que, uma vez assinado, é muito difícil sua desvinculação. Precisamos analisar de que forma o sistema de compliance se adequa à empresa, analisar todos os processos para ver os fatores de risco versus o programa de integridade. Às vezes é melhor não fazer negócio com empresas tecnicamente excelentes, mas que têm problemas com o compliance que exigimos, para não corrermos riscos. Hoje, essa é uma mudança de paradigma da Petrobras”, frisou.

O advogado de Furnas, Felipe Cabral, deu exemplos, em sua apresentação, dos riscos de contratação de terceiros. Ele citou a Odebrecht, na Lava Jato; o Bradesco, na operação Zelotes; e a Zara, responsabilizada por escravidão.

O terceiro painel abordou a Gestão de Continuidade de Negócios. Gerente de Auditoria da CEMIG, Débora Martins falou sobre como contribuir para a resiliência organizacional. De acordo com ela, para uma boa gestão de continuidade de negócios é imprescindível a segurança das pessoas, recuperação mais rápida das empresas quando há algo negativo e danoso e redução dos custos de eventos disruptivos. “A continuidade de negócios do setor impacta diretamente em outras áreas e na vida das pessoas. Em sustentabilidade, mais do que ter consciência, devemos pensar em nossas ações efetivas”, salientou.

No mesmo painel, o engenheiro de Ativos de Geração da Enge, Cleuton Pacheco, mapiou tudo sobre barragens, tema muito em voga devido ao rompimento em Mariana e Brumadinho, barragens de mineração. Ele explicou como são feitas barragens hidrelétricas e de mineração e suas diferenças. Foi apresentado ainda o plano de segurança de barragens e o de ação emergencial.

No quarto e último painel do primeiro dia, os palestrantes trataram do tema: Integração entre Auditoria Interna e demais Funções de Governança, Riscos e Compliance. Os pilares dos riscos das operações foi o primeiro assunto abordado por Fernando Macedo, Coordenador Geral da Diretoria de Governança, Riscos e Conformidade da Eletrobras. Ele enalteceu a Auditoria Interna e pediu um maior entendimento da alta administração das empresas para com a área. “A alta administração pode achar que a auditoria interna é só custo, mas tem que ter a percepção de investimento. A auditoria não age apenas quando há um problema e não só pra fiscalização. A companhia tem que enxergar que a reputação promove a legitimidade e a competitividade dos negócios. De que maneira somos importantes para as instituições?”, indagou.       

Secretário do Tribunal de Contas da União (TCU), Carlos Borges explicou a atuação do órgão, principalmente frente às empresas estatais. “Representamos o controle da sociedade na atuação do Estado. Temos que ter pessoas certas e capacitadas nos lugares adequados. As fraudes no país já foram tamanhas em algumas empresas, que chegamos ao ponto de mapear as pessoas para depois analisar os processos de trabalho e contratações. Essa corrupção afasta investimentos. De 1,38% a 2,3% do PIB de todo o país é perdido na corrupção”, evidenciou.

Gerente Sênior de Auditoria interna para a América Latina da Nissan, Luciana Souza disse que o futuro requer uma rápida adaptação às novas tecnologias, agilidade nos processos e uma maior qualificação dos profissionais. “Sem isso vai ser difícil manter nosso protagonismo”, completou.

Confira os assuntos do segundo dia do Audite na próxima reportagem.